27.7.08

O Kemp é Fodástico!!!


Ah se todos utilizassem seu talento para causas mais nobres, talvez teríamos menos confusões, inutilidades e ignorância.

Agora quando um artista resolve usar seu talento em prol de algo nobre, seja lá o que for...Temos uma obra fodástica*, o Kemp é uma dessas raridades!!

Todos seus desenhos, cartuns, charges contém uma veia política e um humor sofisticado muito forte, um trabalho acima de qualquer suspeita !

* fodástico= foda+fantástico

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16.7.08

INFORME - SE

Há diversas razões que levam uma pessoa a adotar uma dieta vegetariana, designadamente as seguintes: de saúde, ecológicas, éticas e religiosas.

Razões de Saúde

Por aconselhamento médico ou por auto-iniciativa, esta é uma motivação para muitas pessoas seguirem um regime vegetariano. Uma dieta vegetariana equilibrada é geralmente eficaz em equilibrar os níveis de colesterol, reduzir o risco de doenças cardio-vasculares e também evitar alguns tipos de cancro (Câncer), entre outras razões [2], [3], [4]. Outro aspecto relevante prende-se com a qualidade dos produtos animais que chegam ao mercado. Alguns animais criados para consumo humano são alimentados com uma quantidade significativa de hormônios de crescimento e antibióticos para resistirem às doenças, sendo a carne que chega à mesa, muitas vezes, de má qualidade. Por outro lado, a poluição dos mares e rios podem tornar a carne de peixe igualmente insegura. Um terceiro ponto, nas razões de saúde, são as recorrentes crises da indústria alimentar, como a das vacas loucas ou a da gripe aviária, que levam muitas pessoas a adotar uma dieta diferente. Há que se ter muita higiene antes de preparar os alimentos, sejam eles quais forem, lembrando que os vegetais são uma fonte indispensável de vitaminas e de saúde.

Razões ecológicas

A motivação aqui é racionalizar a utilização dos recursos naturais para a obtenção de alimentos. Um vegetariano reduz um elo da cadeia alimentar, tornando-a mais eficiente e, conseqüentemente, reduzindo o impacto ambiental da sua alimentação. Para produzir carne é necessário cultivar plantas, que alimentam o gado, que por sua vez irá alimentar o Homem. Durante o passo de alimentação do gado foram gastos recursos como a água, energia e tempo, que poderiam ter sido poupados se o Homem consumisse diretamente os vegetais. Exemplo: Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação)Para produzir 1 kg de carne bovina são gastos aproximadamente 15 mil litros de água (Considerando o consumo do animal durante sua vida dividido pelo rendimento bruto de sua carne); para produzir 1kg de soja são gastos menos de 1300 litros de água, cerca de 10%. A economia de água é, portanto, superior a 90%.

Fonte: www.fao.org (sobre o tema vide, Singer, P. (2004). Libertação Animal.Editora Lugano)

Enquanto, também além da água utilizada para a criação do gado, é necessário o espaço físico. Temos como exmeplo os estados ao norte do Brasil que abrigam a maior floresta do mundo (por enquanto), a Amazônia. O motivo ecológico é o motivo que mais causa reflexão nas pessoas (principalmente entre os brasileiros) devido ao impacto direto que o consumo de carne tem com a devastação de nossas florestas e a destruição de nossos recursos naturais.

Razões econômicas

A base alimentar do vegetarianismo consiste em alimentos de um nível inferior da cadeia alimentar, os legumes, frutos e grãos, mais baratos do que a carne ou o peixe, quando de qualidades comparáveis. Os alimentos vegetarianos processados, como o tofu ou o seitan são muitas vezes produzidos pelos próprios consumidores em casa. As razões econômicas não costumam, isoladamente, motivar uma pessoa a adaptar a dieta vegetariana, mas contribui muitas vezes, a par de outras motivações, para a mudança de regime alimentar, ou a sua manutenção. Em países subdesenvolvidos existe uma proposta de incentivo ao consumo de vegetais, devido ao alto preço da carne e a desnutrição da maior parte da população. Ensinando os membros da sociedade a plantar e colher sua propria comida, eles criam uma independencia alimentar e melhoram a qualidade de vida de seu povo. Por isso, a dieta vegetariana por vezes é ideal também pela necessidade econômica de uma região.

Razões espirituais

As motivações religiosas são, muitas vezes, revestidas de grande complexidade. Budistas, Hindus, Cristãos Rosacruzes e Adventistas do Sétimo Dia são tipicamente conotados com o vegetarianismo, mas as motivações não são necessariamente imposições religiosas (isto é, comer carne não é necessariamente visto como um pecado, por exemplo). Muitos Budistas preferem a dieta vegetariana porque defendem a não-violência, o que é, portanto, uma motivação ética. Muitos Adventistas escolhem e aconselham a dieta vegetariana porque a vêem como mais saudável e, portanto, vantajosa para o corpo terreno - o que é, consequentemente, uma motivação de saúde.

Razões éticas

Muitos vegetarianos não concebem o homem como superior ao animal, do ponto de vista do direito à vida. Ou seja, não é justo tirar a vida a um animal para alimentar uma pessoa, especialmente quando a vida dessa pessoa não depende da vida do animal. Portanto, devem co-existir os dois. Outro aspecto prende-se com a forma como os animais são tratados. Os animais produzidos pela indústria agro-pecuária moderna são confinados em pequenos espaços, alimentados de forma artificial e tratados por vezes de forma brutal durante o transporte ou antes do abate. Além do mais, os animais se tornaram com o avanço da industria agropecuária, meros produtos, não tendo direto a requisitos básicos de dignidade. Sendo muitas vezes privados do sol, da água e de uma alimentação básica.

Alguns animais porém tem a morte como fim de um tormento em vida, muitos animais com pele utilizada na industria da moda, tem a extração da pele de formas diversas, eles podem ser eletrocutados, asfixiados, envenenados, gazeados, afogados ou estrangulados. E muitas vezes eles não morrem na hora, alguns são esfolados ainda vivos, arrancam suas peles com eles ainda ANDANDO !

As monstruosidades cometidas pelo homem são deveras incompreensíveis, usamos os animais para todos os nossos fins, seja na alimentação, na utilização de animais para fins de testes em laboratório, para confecção de roupas e acesssórios e para nosso entretenimento, entre outras muitas funções que os animais não humanos exercem dentro da nossa sociedade pseudo-democrática e livre.

O motivo ético para a adesão ao vegetarianismo é o maior e mais lógico entre todos os motivos para se tornar vegetariano. Como seres humanos temos sentimentos e raciocínio para determinar alguns parametros em nossa vida. Podemos sentir compaixão das espéces mais fragéis, assim como cuidar para seu bem estar. Porém nossa própria espécie vem sofrendo com o crescimento econômico de países em desenvolvimento, que escravizam a mão de obra de sua população para obter preços concorrentes no mercado mundial, além de massacrar todos os recursos naturais de seu país, causando o enorme abismo social culpa de uma economia equivocada e que prioriza quem possui maior capital, excluindo totalmente os que não possuem bens e dinheiro para sobreviver.

Não haverá igualdade entre os homens e os animais, enquanto não houver igualdade entre os próprios homens. Tornar-se vegetariano é dar o primeiro passo, é conscientizar-se e politizar-se. Portanto, reflita sobre o que você acabou de ler e se nenhum desses motivos lhe convenceu é por que realmente está alheio a toda realidade a sua volta...

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por essa você não espereva!

"Carne de porco provoca homossexualidade", diz site muçulmano

da Ansa, em Berlim

O consumo de carne de porco transforma heterossexuais em homossexuais. A afirmação, divulgada no site da organização muçulmana Ahmadiyya, está provocando polêmica entre os homossexuais de Berlim e entre os opositores à construção de uma mesquita da mesma organização na região leste da capital alemã.

A organização muçulmana Ahmadiyya, originária da Índia, está construindo atualmente no bairro de Heinersdorf a primeira mesquita da região leste de Berlim.

"Este modo de raciocinar dos Ahmadiyya contradiz a Constituição alemã. E não queremos que seja difundida entre nós", disse nesta segunda-feira ao jornal "Berliner Zeitung" o porta-voz do movimento de protesto contra a construção da mesquita, Joachim Swietik.

No artigo publicado na internet, a autora muçulmana se baseia nas afirmações do falecido líder da comunidade Ahmadiyya, Kalif Mirza Tahir Ahmad, segundo o qual "a crescente tendência à homossexualidade tem relação com o consumo de carne de porco em nossa sociedade".

"Estas afirmações equivalem a uma perseguição espiritual", criticaram associações de homossexuais berlinenses.

"O artigo apresenta uma suposição, não uma afirmação", defendeu-se o presidente da comunidade Ahmadiyya na Alemanha, Abdullah Uwe Wagishauser, segundo o qual "é sabido que a alimentação tem um efeito sobre o corpo humano e seu comportamento moral".

"Também os homossexuais são bem-vindos na mesquita", acrescenta Wagishauser, que afirma não querer disseminar o ódio contra esse grupo na sociedade. Berlim, capital européia famosa por sua liberdade, atualmente é governada por Klaus Wowereit, político declaradamente homossexual do Partido Social-democrata (SPD).

* retirado do site da Folha Online - Matéria de
16/04/2007

Alguns dos muitos mitos que surgem, agora não só com os vegetarianos (as diversas mentiras contadas sobre a dieta sem proteina animal de qualquer tipo, ainda é a maior inimiga do avanço de adeptos ao vegetarianismo), mas também para o consumo de algumas carnes...Os porcos do mundo inteiro iriam agradecer caso isso fosse comprovado, pelo menos iria ter muita gente evitando a carne de porco para não correr o risco...

De qualquer forma está comprovado que a carne de porco é responsável por diversas doenças cardiovasculares, e também de
doenças como a cisticercose, infecção conhecida popularmente como "bichinho da cabeça", e a carne de porco já foi alvo de diversos estudos, sendo que a maioria desaconselha sua ingestão na maior parte das dietas. Principalmente entre enfartados, diabéticos e pessoas com problemas de pressão arterial, ou seja meu amigo, independente da carne tornar alguém gay ou não, ela pode te matar por diversos motivos. Então faça um favor para você e para o porco, NÃO COMA SUA CARNE e deixe-o em paz, para que você não descanse em paz (se é que alguém tem paz depois de comer tantos inocentes).


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4.7.08

E ainda dizem que ele é culto!


Prefiro não comentar o "porquê" deste post, somente meu silêncio tem tamanha grandeza quanto a minha indignação, de saber que formadores de opinião pública, se manifestam com suas opiniões que agridem e ofendem a crença de milhões de pessoas e se fossem só as pessoas, conseguiriamos desprezá-lo, o pior são os bilhões de animais sacrificados todos os anos, para que pessoas como ele venham e caçoem dessa realidade injusta e consumista, como uma banalidade.

Infelizmente amigos, muitas pessoas assistiram e assistem essas considerações do Jô e se divertem com elas, essas mesmas pessoas reclamam dos aumentos dos preços que sobem a cada segundo e elegem o mesmo político corrupto a cada eleição, não seja uma dessas pessoas, faça algo de útil, INFORME-SE!!!


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1.7.08

Naturalmente carnívoros, hã?!





Navegando pelo universo da internet, no blog Trivia Veg (visitem!), encontrei esse vídeo (animação) que fala sobre a questão de sermos carnívoros, desde dos primórdios, há muitas pesquisas que apontam que na realidade somos naturalmente vegetarianos, mesmo tendo caninos, não significa que é para destrinchar a carne, vide o tamanho de nossos intestinos, mas enfim o vídeo é muito bom independente do que você acredita.

Primeiro por que não utiliza de linguagem apelativa (animais torturados, degolados, por mais que essa linguagem chame a atenção para o que de fato acontece nos matadouros, eu sempre considerei pouco funcional, pois a maioria das pessoas evita assistir), segundo porque até um desprovido de raciocínio lógico consegue entender que nós seres humanos NÃO somos naturalmente carnívoros por uma série de motivos (científicos) que confirmam exatamente essa tese... É uma animação simples em inglês, mas tem legenda...Então não tem porque não dar uma assistida e tirar sua própria conclusão e comentar com a gente aqui depois!

Confiram!

:)

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30.6.08

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Carta ao Futuro

Redigida pelo Dr. Laerte Levai, Promotor de Justiça e Abolicionista Animal.

Escrevo sem saber se esta mensagem será um dia lida por alguém ou mesmo se ela conseguirá vencer a barreira do tempo, porque o mundo do futuro – tão incerto quanto desconhecido - soa ainda inimaginável aos nossos olhos aflitos. O que terá sido feito da Terra e dos animais? Os seres mais fracos continuarão sendo, no futuro, sistematicamente explorados? Ainda haverá leis para regular a sociedade humana? E nossos mais fiéis companheiros de jornada, por onde andarão? Que memória ficará da época em que se subjugava a natureza para atender a interesses econômicos diversos? Restará alguma lembrança das criaturas perseguidas, abatidas e extintas pela espécie que se autodenomina racional e inteligente? E o sangue nos matadouros, que tinge de rubro a nossa consciência, ainda escorrerá impune?

Haverá girassóis nesse mundo longínquo? Seja como for, seja onde for, esperamos que nesses dias futuros o respeito impere em relação a todos as criaturas, que a ética não tenha fronteiras e que a educação seja algo tão natural e espontâneo que supere a força da lei. Porque o nosso tempo, bem sabem os filósofos, é ainda um tempo de injustiças e de desigualdades, que separa dominantes e dominados, que estabelece quem manda e quem obedece, que decide quem vive e quem deve morrer.

Basta olhar para as matas devastadas, para a miséria das ruas ou para a realidade dos campos sem fim, na qual animais são perseguidos e explorados até o limite de suas forças. Basta ver o que se esconde sob o véu dos espetáculos públicos, nas fazendas, nas arenas, nas jaulas e nos picadeiros. Basta enxergar o drama dos animais submetidos às agruras da criação industrial, aos horrores dos matadouros e às terríveis experiências científicas, dentre outras situações em que se lhes impinge dor e sofrimento. Este é o nosso tempo, tão bem retratado pela sensibilidade poética de Sophia Breyner: “Este é o tempo da selva mais obscura Até o ar azul se tornou grades E a luz do sol se tornou impura Esta é a noite Densa dos chacais Pesada de amargura Este é o tempo em que os homens renunciam”

Gostaria de consignar, na presente carta, um pouco das nossas falhas e contradições. Digo isso porque no Brasil vigora uma Constituição que veda expressamente a submissão de animais de atos cruéis. Essa lei, todavia, é vilipendiada e rasgada e todo instante. Não é preciso muito esforço imaginativo para constatar que muitas vezes as suas idéias não correspondem aos fatos. A maioria das leis brasileiras que se propõe a proteger os animais sucumbe diante da indiferença humana ou da crueldade institucionalizada pelo poder público. A Lei de Proteção à Fauna estimula a caça de animais; a Lei do Abate Humanitário faz em seu texto concessões macabras, representadas por palavras terríveis: eletrochoque, corredor de abate, pistola de impacto, área de vômito, canaleta de sangria, etc.; a Lei da Vivissecção legitima a tortura em nome de um suposto progresso cientifico, como se fossemos ingênuos o suficiente para acreditar que a ciência seja neutra ou que ela busca a paz.

Nesse amplo cenário de servidão, seres sencientes tornam-se objetos descartáveis, peças de reposição, criaturas eticamente neutras. O vocabulário jurídico do nosso tempo é igualmente cruel ao se referir aos animais: a lei brasileira, via de regra, considera-os propriedade, coisas de alguém, objetos materiais, recursos naturais ou bens de uso comum do povo.

Como o Direito pode ser justo se, em nome de seus fins, retira dos animais o que eles têm de mais precioso? Um célebre filósofo do século XIX, Arthur Schopenhauer, escreveu em ‘Dores do Mundo’ que a compaixão é uma das principais virtudes humanas, lembrando que uma mesma essência atravessa o céu, as águas, as florestas e os seres vivos, cuja existência é uma experiência fascinante e única: “A suposta ausência de direitos dos animais, assim como o argumento de que nossa conduta em relação a eles não tem valor moral algum, é de uma ignorância revoltante”. É certo que nosso país, como poucas nações do mundo, estabeleceu a tutela dos animais como princípio constitucional.

Apesar disso, a cultura, os costumes, os interesses científicos e econômicos transformam essa norma protetora em letra morta. A ideologia do consumo que se faz no Brasil contribui para a sistemática e incondicional exploração dos animais, mostrando que a nossa legislação – tida como uma das mais avançadas do planeta – convive com uma realidade bem diversa da que se preconiza no papel. Homens do futuro, escrevo-lhes de um tempo sem limites, de um tempo de jaulas, de arpões, de correntes e de chibatas, de um tempo insano em que magarefes, no exercício de sua atividade brutalizada, apunhalam dezenas de vidas a cada minuto. Tempo de escravidão. De tortura. Tempo de chacinas em ritmo industrial.

A chamada ‘cultura do churrasco’, mola propulsora da crueldade no agronegócio, tornou-se instituição nacional, apesar dos grandes latifúndios que poderiam ser utilizados no plantio de vegetais e grãos capazes de suprir as necessidades alimentares humanas. E pensar que, mesmo assim, gente ainda morre de fome no Brasil e em várias partes do mundo. Queremos o fim de tanta miséria.

A história das lutas pela libertação, ao superar as barreiras do preconceito, demonstra que os grandes movimentos de transformação social começaram sempre com pequenos gestos libertários e idéias de alguns raros e loucos que ousaram sonhar. Sabemos que todo movimento de quebra de paradigmas passa por três fases, na seguinte ordem: ridicularização, tolerância e aceitação. Em que fase estaremos? Quero crer que na fase intermediária, caminhando para uma libertação que esperamos se concretize no futuro. Ainda próximo de nosso tempo, na Índia, um líder pacifista clamou por piedade por todos os animais vítimas da tirania humana, certo de que eles não têm forças para nos resistir. Esse homem, chamado Mahatma Ghandi, morreu assassinado pelas mãos da intolerância. Pena que em nosso tempo ainda não se conhece o verdadeiro significado da Ética, porque interesses humanos dos mais diversos desnaturam esse conceito a ponto de transformá-lo em uma palavra vazia de sentido.

Outra grande personalidade do século XX, que cantou o amor ao imaginar um mundo mais pacífico para todos, também não resistiu ao treslocado gesto reafirmador de uma cultura permeada pela violência. Morto John Lennon, suas canções viverão sempre dentro de nós. Assim escreveu o sociólogo Roberto Gambini, ao refletir sobre a condição dos animais inseridos em nosso perverso sistema antropocêntrico: “Sem defesa, sem voz e sem protesto, os animais vão sumindo, um a um, abatidos, baleados , encurralados em becos sem saída, banidos até os limites dos campos habitáveis. Antes que tudo se perca, é necessário acordar do pesadelo para que possamos continuar sonhando. Trabalhar com o inconsciente, compreender a verdade profunda dos instintos e da alma, perceber a presença do divino dos olhos de um animal. Essa talvez seja a última utopia pela qual ainda possa valer a pena dedicar uma vida de estudo e trabalho”

Aprendemos, afinal, que há uma essência única entre todos os seres vivos, que a inteligência não é privilégio da espécie humana, tampouco a capacidade de experimentar dores e sofrimentos. Aprendemos também, com Cesare Goretti, autor do pioneiro ensaio jurídico intitulado “L’animale quale soggeto di diritto”, que “o homem possui, a um só tempo, deve legal e moral para com os animais”. Já para Piero Martinetti, segundo os comentários de Alessandro di Chiara no prefácio de ‘Pietá verso gli animali”, “a dor dos animais assim como o sofrimento dos inocentes testemunha o mistério da existência e ao mesmo tempo revela o aspecto trágico da realidade, na qual o problema do mal confirma a maldade e a aparência do mundo fenomênico. Diante dessas insuperáveis dificuldades que assinalam a vida, Martinetti propõe uma moral superior, na qual a justiça e a caridade orientem o homem além de uma Ética baseada em um fundamento religioso. Por esse motivo, a piedade representa, para ele, o verdadeiro símbolo da união que deve ocorrer entre o homem, a natureza e os animais”.

Grandes filósofos dos direitos animais surgiram em nosso tempo. O primeiro, Peter Singer, ampliou o princípio da igualdade de interesses; o segundo, Tom Regan, atribuiu direitos a todos os sujeitos-de-uma-vida; o terceiro, Gary Francione, mostrou os fundamentos abolicionistas da verdadeira libertação. Os direitos animais, aqui no Brasil, encontram sua maior expressão no trabalho filosófico de Sônia Felipe, cujos alunos têm a missão de levar nossa causa para o futuro. Porque acreditamos em mudanças, porque não queremos mais compactuar com a mentalidade especista que está impregnada em nossa sociedade e porque sabemos que se trata de uma questão de justiça, decidimos enfim nos reunir.

De 1 a 4 de maio de 2008, em um ponto eqüidistante entre o Atlântico e o Pacifico, ao Sul do Equador, em um sítio de uma pequena cidade do interior paulista, aqui estamos todos juntos para traçar os rumos do movimento abolicionista em favos dos animais. Buscando sonhar novas utopias, em um país ainda debutante no exercício das liberdades, começamos a articular um movimento capaz de ultrapassar nossa última fronteira ética e, assim, reconhecer em plenitude os direitos dos animais. Ousamos lançar ao solo as sementes de uma nova consciência e juventude, para que no futuro elas frutifiquem em favor de todos os seres vulneráveis que precisam de nossa ajuda. Cada participante deste encontro torna-se, assim por dizer, um semeador.

Sabemos que o caminho para a libertação animal não está nos discursos na ONU, nem nos tratados ou convenções internacionais, nem nas leis positivas que traduzem – clara ou dissimuladamente – intenções humanas egoístas. Depende, sim, de mudanças interiores. Isso explica porque a Ética e a Moral , como atividades de reflexão, precisam estar sempre acima do Direito. E o Direito não deve ser considerado como mero instrumento de controle social, que garante interesses particulares e divide bens, mas um caminho para a retidão, para a virtude, para a solidariedade, para a paz.

Sem o reconhecimento dos direitos animais, a justiça torna-se injusta. Amigos do futuro, nestes tempos de perplexidade e de indiferença pela vida, faço questão de ressaltar que há dissidentes no sistema, pessoas que ousaram desafiar o modus vivendi, que ainda têm a capacidade de acreditar em mudanças e que, dia após dia, lutam por elas. Podemos dizer que, em meio a este tempo de incertezas, ainda há quem expresse seu inconformismo em face à barbárie institucionalizada perante a qual a maioria das pessoas permanece cega, surda e muda. Por isso quero deixar registrado, nesta carta, a alegria de conhecer gente que ainda tem a capacidade de se indignar. Este auditório, repleto de idealistas, vegetarianos, veganos e ativistas, é a maior prova disso. Todos os participantes deste célebre encontro tornam-se fundamentais no atual momento político. Que no futuro, não muito distante, sejam colhidos os frutos desse trabalho.

George Guimarães, ativista pelos direitos animais e organizador do 1º ENDA, é uma dessas pessoas. Porque sua luta é toda ela empenhada à causa dos animais, uma causa digna, uma causa justa, uma causa que talvez represente a última das utopias pelas quais se vale a pena viver. Provavelmente todos o que se reuniram aqui, nestes dias frios e chuvosos, têm um ideal comum: decretar o fim da exploração dos animais. Inconfidentes contemporâneos, não apenas inconfidentes mineiros, mas inconfidentes paulistas, baianos, catarinenses, cariocas, goianos, paranaenses, cearenses, gaúchos, capixabas, enfim, representantes de todo o país em busca de tempos melhores para os animais.

Por isso ora reafirmamos, ao presente e ao futuro, o nosso ideal de buscar mudanças, mudanças tão necessárias quanto urgentes, na esperança de que todos possam um dia viver em paz, compartilhando um mundo menos cruel e menos injusto. Como mensagem de despedida aos nossos pósteros, evoco uma frase do grande militante revolucionário do século XX, um homem que percorreu a América com seu sonho de liberdade e que, a exemplo de outros grandes mártires do nosso tempo, perdeu a vida em prol de seus ideais. Seu nome é Ernesto Che Guevara: ”Se você treme de indignação perante uma injustiça no mundo, então somos companheiros”.

}}} Pense sobre isso!